Economia & Negócios

Turismo de experiência em Areia é opção para visitantes

Ideia


15/01/2013



 Tocar um violino, sentir o cheiro doce da cana de açúcar, mexer um arroz de leite num restaurante, trançar um artesanato em contato com a natureza. Essas e outras experiências se tornaram reais no Brejo paraibano (a cerca de 120 km de João Pessoa) para grupos turísticos. É uma inovadora tendência envolver o visitante com a cultura na qual ele não participava.

O turismo de experiência foi implantada na região através do projeto de Turismo do Sebrae Paraíba. De acordo com a gestora do programa, Regina Amorim, esta prática está sendo aplicada em 25 atividades criativas de produção associada ao turismo. “É a cultura local que está atraindo os visitantes que querem experimentá-la. E os turistas estão notando que a Paraíba tem outras opções além das belas praias”, comentou.

O destino turístico da cidade já é divulgado e comercializado por várias empresas de turismo do Estado. Os empresários da cidade estão atentos ao crescimento turístico da região. Recentemente, foi inaugurado o Hotel de Bem Estar da Paraíba (Hotel Triunfo), um complexo com lojas de artesanato local e restaurante, com 30 apartamentos e 90 leitos. Com o empreendimento, o número de leitos da cidade cresceu 78%, passando de 114 para 204. A iniciativa associada a um crescimento nos negócios trouxe mais visitas à Areia.

De acordo com Lúcia Giovanna Duarte de Mélo, coordenadora da Associação dos Amigos de Areia (Amar), que está à frente do recém-premiado Museu Regional de Areia, muitos ônibus de visitantes chegam diariamente na cidade. “Os moradores perguntam o que querem os visitantes. Trabalhamos o sentimento de pertencimento deles, em capacitações, para reconhecerem o valor turístico da cidade”, disse.

O turismo de experiência agrega ainda valor cultural ao passeio através da história do Brasil. No Museu da Rapadura, que fica no Campus II da UFPB – Centro de Ciências Agrárias, os visitantes conhecem a história da formação dos engenhos na região. Atualmente, há 72 engenhos, mas apenas 35 em funcionamento. Guias turísticos preparados contam histórias do século 17.

O casarão do Museu era a casa grande de um engenho tradicional de fabricação dos derivados da cana-de-açúcar. A almanjarra, antiga moenda movida pela força bovina, é mostrada como uma tecnologia avançada para a época. O termo criado para o açúcar mascavo e até o velho alambique de barro, do processo da produção da cachaça e da rapadura, são conhecidos diariamente. As visitas são gratuitas, das 8h às 17h.

Turismo rural – Na zona rural de Areia, a comunidade Chã de Jardim está oferecendo algo inovador no turismo da Paraíba. Para quem nunca curtiu um passeio na mata, essa é a oportunidade. A guia Luciana Balbino, coordenadora da Associação para o Desenvolvimento Sustentável de Chã de Jardim (Adesco), leva os visitantes a uma reserva de mata Atlântica de 607 hectares, chamada Mata do Pau Ferro.

No local é oferecido um piquenique ao som de violão. O visitante paga uma taxa de R$ 10 e participa de um gostoso lanche em meio à reserva. Há incentivos para plantar uma muda de Pau Ferro, que não existia na área antes da Associação se instalar. Este empreendimento tem outra característica, é formado por 20 jovens da comunidade, o que ressalta o potencial de investimento na cidade.

Empreendimentos novos – Já na Casa do Doce, nas proximidades do Engenho Triunfo, o turista pode provar até 73 tipos de doces caseiros, alguns até com cachaça. Uma linda construção de taipa (casa de gravetos coberta de palha), toda ornamentada com diversos tipos de flores, guarda as especiarias produzidas pela empreendedora Ester Vilar, que criou o negócio há pouco tempo, mas já está satisfeita com o investimento. O pote com 300 ml de doce custa R$ 14.

Na cidade, o recente Restaurante Bambu, uma construção que lembra as sacadas japonesas, de bambus grossos e resistentes, tem uma bela vista da cidade. Em cima de um morro, o terraço das mesas exibe uma vista exuberante. Na cidade, a pousada-boutique Vida Real é outro ponto de visitação, com exposição e venda de móveis restaurados e objetos de decoração.

Turismo religioso – Não dá para passar em Areia e não conhecer sua história religiosa. Pelo Museu da Arte Sacra percebe-se por onde a cidade tem conseguido resgatar seu sentimento de pertença para ajudar na construção de uma cidade turística. Houve uma união civil no processo de reconstrução da arte sacra, segundo Lúcia Giovanna Duarte de Mélo. Ela e outros educadores investem na formação de jovens apaixonados pela história e cultura areiense.

Um dos projetos exitosos da Amar foi ter conseguido a oficina de Salvaguarda e Restauração, realizada no Museu Regional de Areia, com jovens que foram treinados por restauradores nacionais. Cerca de cinco mil peças podem ser vistas no Museu, que foi contemplado com o prêmio Rodrigues de Melo. Outras estão quase prontas do restauro.

Criatividade – Violinos ao pôr do sol, na sacada do Colégio Santa Rita, um dos mais antigos da Paraíba. Um momento esperado no passeio por Areia. Uma aluna recebe o visitante tocando violino. Guiado pela música, ele vai por um salão cristão (uma igreja dentro do convento) até uma espaçosa sacada. Todos se sentam e assistem um conserto de três violinistas. A apresentação é diária e custa R$ 10 para ver o sol se pôr atrás das casinhas nos morros.

Outra opção de turismo de experiência é concluir uma peça artesanal na Garagem da Arte. Lá, o visitante termina uma bonequinha, por exemplo, pintando o seu toque pessoal no artesanato, por apenas R$ 10, e toma um cafezinho quente com lanche regional. As visitas são diárias, mas a oficina de pintura é por agendamento.

Uma das mais tradicionais festas de Areia, que mostra ao visitante também uma confraternização empresarial, é a Noite da Degustação no Engenho Triunfo, dos empresários Maria Júlia de Albuquerque Baracho e Antônio Augusto Monteiro Baracho, da Cachaça Triunfo.



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