Tecnologia

Quero trabalhar com games! O que preciso fazer?

Para celebrar o Dia do Gamer, saiba as competências e dicas indispensáveis para seguir nessa carreira


30/08/2023

Portal WSCOM



 

 

Do fliperama ao PC Gamer. Do Nintendinho ao PS5. Independentemente do console ou da geração, os games são um dos meios de entretenimento mais populares do mundo há décadas. No Brasil, 70% da população joga algum tipo de jogo digital, conforme a Pesquisa Game Brasil (PGB) de 2023, que entrevistou 14,8 mil pessoas. O mesmo estudo indica, também, que mais de 58% dos jogadores acreditam que o setor brasileiro de games oferece boas oportunidades de carreira.

O mercado mundial de games tem crescido exponencialmente. Só em 2021, foram movimentados US$ 175,8 bilhões globalmente, segundo dados da consultoria Newzoo. No Brasil — o maior consumidor de jogos digitais da América Latina — isso não é diferente. Dados da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Games (Abragames) apontam que a indústria nacional cresceu mais de 600% em oito anos. Segundo o último levantamento da associação, o total de empresas do setor passou de 133, em 2014, para 1009 no último ano.

Além disso, a média salarial de programadores e desenvolvedores é de R$ 6,6 mil, conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Em comemoração ao Dia do Gamer, separamos competências e dicas indispensáveis para que quer investir nessa carreira.

Quais são as competências mais importantes de se ter no inventário pessoal?

O especialista de desenvolvimento industrial do Observatório Nacional da Indústria da CNI, Marcello Pio, destaca as habilidades e capacidades necessárias para quem quer atuar no setor de jogos digitais. Entre elas, estão:

  • pensamento crítico;
  • aprendizagem ativa e estratégica;
  • gestão de recursos materiais;
  • negociação;
  • resolução de problemas complexos;
  • julgamento e tomada de decisões;
  • criatividade e originalidade;
  • ordenação de informações;
  • velocidade perceptiva; e
  • pensamento analítico.

“Quem decide se profissionalizar no ramo de games tem o benefício de um mercado enorme para explorar, com vertentes que excedem o entretenimento, como a gamificação de processos educativos e corporativos, por exemplo. Para quem deseja seguir na área, a capacitação deve ser o primeiro passo”, explica Marcello .

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) oferta formações diretamente ligadas ao setor. Dois exemplos são os cursos técnicos de Programação de Jogos Digitais e de Desenvolvimento de Sistemas, oferecidos em SP, BA, SC, MG, PR, MT, PE, RJ, CE, GO, ES, SE, RO, TO, PI, DF, RS, RR, MA, PB, MT, RN e AM.

De janeiro a julho deste ano, os cursos registraram, juntos, 22,8 mil matrículas. O técnico em Programação de Jogos Digitais tem carga horária mínima de mil horas, e o de Desenvolvimento de Sistemas de mil e duzentas horas. Ambos têm oferta presencial e semipresencial. Para saber os valores e se as matrículas estão abertas, procure o SENAI da sua região ou acesse o Futuro.Digital. 

Quem está no mercado há algum tempo, também tem dicas valiosas. Conversamos com dois players profissionais sobre como entrar e, principalmente, como se manter nesse mercado.

Player 1: Alice Grosseman, artista conceitual e dubladora de jogos digitais

Com mais de dez anos de carreira, um bacharelado em design de jogos e um mestrado em ciências da linguagem, Alice Grosseman — conhecida artisticamente como Alice Monstrinho — atua, principalmente, como artista conceitual e dubladora de jogos digitais. Quando criança, a catarinense já demonstrava interesse tanto por videogames quanto por ilustrações. Hoje, aos 33 anos, ela se profissionalizou para seguir nas duas vertentes.

Sobre as vantagens de se trabalhar no ramo de games, Alice destaca a variedade e a tendência de crescimento, justamente por se tratar de “um mercado muito criativo”. Para aqueles no início da jornada, a profissional dá alguns conselhos.

 “Jogar e fazer jogos são coisas muito diferentes, então é importante saber quais áreas de competência te atraem. A especialização depende muito de você entender o que quer. Depois, além da formação acadêmica, você precisa de um portfólio, pois as empresas vão se basear nele para te contratar”, destaca.

A artista e dubladora sabe da dificuldade de criar um portfólio no começo da carreira, mas dá a dica. “Você pode produzir jogos independentes e pode disputar game jams, que são maratonas de desenvolvimentos de jogos em equipe”, orienta. Para quem já começou a atuar no setor, Alice sugere sempre se aprimorar, considerando a constante evolução do mercado; e se habituar aos trabalhos em equipe, para que haja expansão da rede de contatos.

Player 2: Pietro Pazini, programador e desenvolvedor de jogos de realidade estendida

A tecnologia e os games estão presentes na vida de Pietro Pazini desde a adolescência, quando ganhou o primeiro notebook, em que costumava jogar online. Entre 2019 e 2022, período em que cursava o Novo Ensino Médio no Serviço Social da Indústria (SESI) de Jardim da Penha (ES), o aluno se profissionalizou em Programação de Jogos Digitais, sua escolha para o itinerário de formação técnica e profissional.

Em março de 2023, aos 18 anos, Pietro começou a trabalhar como desenvolvedor de jogos de realidade estendida na Educa Meeple, startup focada no desenvolvimento de jogos e tecnologias para educação. No final de agosto, porém, precisou se desvincular da empresa, pois ele e a família se mudaram para Toronto, no Canadá. Ainda assim, pretende continuar com o aprimoramento no ramo tecnológico. No país, ele estudará no IBT College Business Travel and Tourism Technology, e pretende não apenas cursar programação, mas também estagiar na área.

Como dica para outros iniciantes no mercado, Pietro também destaca a importância da educação continuada: “As tecnologias surgem e se aprimoram a cada dia, então é um aprendizado constante. O profissional que só estuda uma coisa e não continua se aprimorando, eventualmente se torna ultrapassado. Por isso, fora as formações básicas, é importante fazer cursos complementares, para enriquecer o currículo e torná-lo mais atrativo para as desenvolvedoras”, aconselha.



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