Cultura

Chico César ressalta frevo como cultura de resistência e exalta homenagens a Chico Science e Lia de Itamarará em Recife


10/02/2024

Imagem: Divulgação

Por Wallyson Costa e André Cordeiro



Nessa sexta-feira (9), o Recife se encheu de cores, ritmo e tradição para celebrar o Dia do Frevo. O Marco Zero e outros quatro polos da cidade foram palco de diversos shows, reunindo amantes da música e da cultura pernambucana. Em meio às festividades, Chico César concedeu uma entrevista exclusiva ao Portal WSCOM, abordando o papel do frevo e as homenagens a Chico Science e Lia de Itamaracá no Carnaval.

O artista paraibano destacou a essência do frevo como uma expressão ligada aos movimentos populares.

“O frevo tem a ver com os movimentos populares, os capoeiras, os periféricos, os pretos, os pardos que saíam no movimento de dança e luta ao mesmo tempo, reivindicando um lugar de visibilidade numa sociedade que não queria enxergá-los. E hoje nós temos o frevo no mundo dos símbolos desse lugar, tanto resistência quanto rendição. Como diz a música de Gilberto Gil, eu acho que hoje é muito mais resistência do que foi, pela resistência que o frevo chegou até aqui”, pontuou.

O músico também pontuou a evolução do frevo ao longo do tempo, destacando que, inicialmente, era o mainstream, uma espécie de imagem turística representada pela sombrinha colorida. Contudo, com o surgimento do Mangue Beat, liderado por Chico Science, Nação Zumbi e Mundo Livre SA, o cenário se transformou. O Maracatu, outrora eclipsado pelo frevo, emergiu como símbolo, proporcionando uma nova dinâmica à cultura pernambucana.

Ele ressaltou a homenagem a Chico Science, responsável por trazer o Maracatu para o centro das atenções.

“A homenagem a Chico Science é uma lembrança muito importante, pois Chico trouxe o Maracatu para um lugar que o frevo ocupava como bandeira turística. Durante muito tempo, apenas a sombrinha colorida simbolizava o carnaval de Pernambuco. Com o aparecimento do Mangue Beat, Chico Science, Nação Zumbi, Mundo Livre, o caboclo de lança do Maracatu passa a ser também um símbolo que foi se equiparando. Isso é bom porque, naquele momento, o frevo era o mainstream, o vamos dizer assim, como imagem turística. E quando vem o Mangue Beat, dá uma mexida e outros que estavam sendo invisibilizados aparecem junto com isso”, destacou.

Chico César enfatizou a importância de Lia de Itamaracá, que segundo ele é uma artista cuja música transcende as fronteiras da ciranda, pela qual é conhecida. Lia, de acordo com Chico, é um exemplo de vitalidade artística, renovando-se e explorando diversas expressões musicais, desafiando rótulos.

“Os mestres da cultura popular, Mestre Salustiano, Lia de Itamaracá, é incrível a vitalidade. É uma dádiva que uma artista da dimensão de Lia viva criando, se renovando, fazendo coisas que nem são ciranda. É porque a música de Lia é caracterizada pela ciranda.  Mas ela é música, ela pode cantar o que ela quiser, e ela mostra que nós também podemos cantar o que nós fizemos. Viva Lia de Itamaracá e Chico Science”, disse



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